Bavette

 


Um atrativo à parte dessa ave são as formas de expressão sonora, notável pela sua diversidade.

Fonte: Pet Brazil 


 

BAVETTE: SOCIÁVEL E COLORIDO

 

Com a aparência chamativa, o Bavette é uma boa opção para a criação doméstica.

No importante Campeonato Brasileiro de Aves deste ano, promovido pela Federação Ornitológica do Brasil, em São Paulo, um Bavette Cauda Longa foi o primeiro colocado entre as melhores aves classificadas num total de 730 concorrentes. Os grandes trunfos para a vitória foram o belo porte, babadouro grande, as cores e as demais marcações muito bem definidos.
As formas delicadas e tons suaves em contraste com o intenso colorido das marcações e do bico, são algumas das qualidades do Bavette que atraem apreciadores mundo afora. Sociável, esse pássaro acostuma-se bem a quem trata dele e não é do tipo que se debate na gaiola à menor aproximação. O babadouro (em francês, bavette) que lhe valeu o nome, na verdade só aparece em duas das suas três espécies: no Bavette Cauda Longa e no Cauda Curta. Mas há uma terceira espécie que, em vez de babadouro, tem máscara. É o Bavette Mascarado. Existem ainda dez subespécies e mutações (veja quadro As variedades). O mais popular dos Bavettes é uma subespécie, o Hecki Grassfinch. Tem colorido mais intenso que os demais, um vistoso bico vermelho e pertence à variedade Cauda Longa, a mais dócil das três.
Um atrativo à parte dessa ave são as formas de expressão sonora, notável pela sua diversidade. O canto é exclusivo dos machos e pouco expressivo para os nossos ouvidos, mas funciona bem na hora de acasalar: o pretendente canta e pronto, a conquista está feita. Já o macho e a fêmea produzem um assobio de "alerta" bastante alto, que usam para avisar quando alguém se aproxima, seja um predador, um estranho ou o próprio dono. Emitem também uma "saudação" sonora ao se encontrarem com outro Bavette, rápida e inarticulada, acompanhada por um aceno da cabeça.

O ANO TODO

Sociável, o Bavette tem o hábito de formar pequenos grupos, no qual um alisa as penas do outro - um tipo de interação social e de higiene pessoal observável também na criação doméstica, o ano todo. A espécie Cauda Curta arrepia as penas da região do babadouro e emite um som rápido, que significa um convite para o início do ritual de alisamento. Quando aborrecida ou agressiva, mantém essas penas aderentes ao corpo.

O Bavette convive bem com outras espécies, desde que sociáveis e compatíveis em tamanho, para evitar brigas entre machos e desvantagens, se houver desentendimento. São adequados o Diamante de Gould, o Mandarim, o Modesto, o Manon e o Starfinch. Procria o ano todo, principalmente de março a outubro. Na Austrália, de onde se origina, se reproduz principalmente na época das chuvas, quando o alimento é mais abundante.

Uma forma de identificar o sexo é pelo canto, já que as diferenças físicas não são facilmente perceptíveis. Para estimular o macho a cantar, coloca-se o Bavette em uma gaiola isolada por no máximo um dia, tanto na época de reprodução como fora dela. Se não cantar, trata-se provavelmente de uma fêmea. A espécie que canta menos é o Mascarado.

Não se deve acasalar Bavettes de espécies diferentes e nem comprar mestiços. Podem ser estéreis, com diversos problemas de saúde e perdem as características típicas das espécies, como a cor do bico e o tamanho correto da cauda.

ANTIESCURIDÃO

Na natureza, é o macho, principalmente, que constrói o ninho em arbustos ou entre os ramos das árvores, em forma de bola, com apenas uma abertura na frente. Na criação doméstica, a tradicional caixa de madeira quadrada, com 15 centímetros de lateral, funciona muito bem. Pode ser acoplada externamente à gaiola para não ocupar espaço e facilitar a inspeção dos filhotes pela tampa superior. Num canto da gaiola, coloca-se fibra de coco, graminha japonesa seca ou capim seco e fino, para o macho e a fêmea forrarem o ninho.

O Bavette se adapta a qualquer gaiola. Para a procriação, é aconselhável que ela seja do tipo "criadeira", por oferecer mais espaço aos filhotes quando começarem a sair do ninho. Tem 70 cm de comprimento x 30 cm de profundidade e 40 cm de altura. No período da reprodução, os casais podem permanecer no viveiro comunitário mesmo que haja aves sociáveis de outras espécies. O viveiro varia conforme a quantidade de pássaros. Deve ser instalado em local que pegue o sol da manhã em toda a extensão. Cobre-se um terço do telhado com telhas de barro. O chão é de cimento com inclinação para o escoamento de água. Fecha-se tudo com tela de arame, fio 18, com malha de meia polegada, para evitar a fuga dos pássaros e entrada de ratos.

No escuro do ninho, os pais localizam as bocas dos filhotes para alimentá-los guiados por manchas bem claras que têm na boca. Em cativeiro, o período do choco dos ovos é o mais crítico para as três espécies. Fêmea e macho deveriam se revezar nessa tarefa, mas geralmente não o fazem, satisfatoriamente, e também não alimentam corretamente os filhotes. Nesses casos, costuma-se transferir os ovos para um casal de Manons. A reprodução do Mascarado é a mais passível de erro, devido ao ciclo irregular de postura, menor que o das outras espécies. Formar o casal é também mais difícil, pela maior dificuldade em identificar o macho, que não costuma cantar muito.

Os filhotes começam a emplumar a partir dos seis dias, quando aparece a penugem. Com cerca de 15 dias nascem as penas maiores. Podem ser separados dos pais entre 40 e 50 dias (siga a orientação de um criador). Não se deve submeter o casal a mais de quatro posturas anuais para não provocar desgaste na fêmea e não causar diminuição do número de ovos e nem filhotes mais fracos. Quando transferimos os ovos da fêmea Bavette à ama Manon, a tendência é que as posturas reiniciem em apenas 10 dias. Esse intervalo é bem menor aos cerca de 60 dias da natureza, onde ela choca seus ovos e cuida dos filhotes até se tornarem independentes, para só depois botar novos ovos. Como o organismo precisa repor o cálcio, recomenda-se retirar o ninho para forçar intervalos mínimos de um mês entre as posturas.

MUDA RÁPIDA

O criador de aves há 30 anos, Hermelindo Bosso, do Criadouro São Vicente, em Mauá - SP, ensina que o banho pode acelerar o término da muda. "A água aumenta o peso das penas e faz com que caiam mais depressa para dar lugar às novas." Para não causar resfriado e posterior pneumonia, não se deve pôr a banheira em locais com correntes de ar e nem nos dias frios, sem sol.

Ao adquirir um Bavette, o ideal é avaliá-lo da mesma maneira que um juiz faria, ensina um dos diretores da Federação Ornitológica do Brasil e da Ordem Brasileira dos Juízes de Ornitologia. "Em todas as variedades, quanto maior o babadouro (ou a máscara) a definição das marcações e a intensidade e brilho das cores, melhor", diz Roque Rafael de Moraes, que é também criador há 30 anos pelo Criadouro Porto Feliz. "Um bom Bavette tem um porte que dá a impressão de robustez a cabeça bem proporcionada com relação ao corpo e o bico sem manchas; não desbotado e nem alaranjado, que é um indício de mestiçagem", complementa. Outras características importantes são as unhas estarem completas as penas não terem falhas e serem bem assentadas, as patas se apresentarem limpas e sem descamação, sinais de que a ave está saudável. No rabo da Cauda Longa devem estar presentes os dois filetes de penas característicos, com tamanho ideal de 3,8 centímetros.

Quando bem cuidado, o Bavette é resistente. Precisa tomar sol da manhã, receber alimentos de boa qualidade, ter boas condições de higiene e ficar em um local sem excesso de movimento, de barulho e de correntes de ar. Caso contrário, a resistência cai e aumenta a possibilidade de ele pegar coccidiose, doença que ataca aves com baixa resistência e à qual as espécies australianas são especialmente sensíveis. Os sintomas consistem em diarréia, desidratação, falta de apetite e conseqüente emagrecimento - visível pelo osso saliente do peito (peito seco). O mal favorece o aparecimento de outras doenças e, em poucos dias, pode causar a morte. A veterinária especialista em aves, Stella Maris Benez, de São José dos Campos, explica que é de fácil contaminação, através do contato com objetos usados pelo pássaro doente. Para desinfetar, mergulhe-os em água sanitária (2 ml por litro de água), durante 15 minutos, e lave-os bem em água corrente. Roupas e solas dos sapatos também podem disseminar a doença. Há tratamento sob indicação veterinária. O tratamento inadequado pode favorecer também o aparecimento de outros males. Os mais freqüentes são a Salmonelose (diarréia branca, problemas de reprodução e de fígado), Mycoplasmose (artrite, problemas respiratórios crônicos, perda de embriões, ovos com baixa fertilidade), Colibaciolose ( mortalidade dos filhotes, problemas respiratórios, do fígado e ovários).

RECEITAS DE EXPERTS

O Bavette é granívoro. Uma boa alimentação é composta principalmente por sementes. A veterinária Stella Maris recomenda misturar vários tipos de painço ( o português, o verde, o branco e o preto) com alpiste, de forma que o painço represente 60% da mistura. Pode-se trocar 10% de alpiste por 10% de Niger. Duas vezes por semana, complementa-se com farinhada industrializada Cedé, própria para aves exóticas em geral, inclusive o Bavette (com 18 a 24% de proteínas), oferecida diariamente no período reprodutivo, a partir da postura até a criação dos filhotes. Três vezes por semana é bom oferecer verduras, que são um alimento natural e contêm vitaminas (couve, almeirão, escarola - alface não). Mas o risco de parasitas e bactérias é alto. Devem, portanto, ser esterilizadas, mergulhando-as por 30 minutos em uma solução de 20 gotas (1ml) de vinagre ou hipoclorito de sódio, comprado em farmácia, em meio litro de água. Os filhotes, quando alimentados na mão, devem receber a farinhada pura umedecida com água, na forma de papinha. Cuidado: não armazene as sementes em casa por mais de 30 dias, o que deve ser feito em ambiente seco, caso contrário há risco de micotoxinas de fungos, altamente fatais aos filhotes e causadoras de problemas crônicos nos adultos.

AS VARIEDADES

Há três espécies de Bavettes. Todas apresentam subespécies, originadas por mudanças devido à influência geográfica. Há também mutações nas quais a única diferença ocorre na coloração.

CAUDA LONGA

ORIGINAL (Poephila acuticauda). Conhecido como Long-tailed Grassfinch e Shaft-tail Finch. É o mais tranqüilo dos três. Tem o rabo mais comprido, formado por dois filetes de penas - Bico: Amarelo. Babadouro: Preto. Olhos: Pretos. PretoCinza no topo da cabeça e nuca. MarromFulvo-rosado no manto e partes inferiores. Branco no abdômen, na região central da cauda e sob a cauda. nos loros e cauda.

Demais cores: nas costas e asas.

Tamanho: cerca de 17 cm, sendo 3,8cm de cauda, composta de 2 penas. Postura: 4 a 6 ovos.

Incubação: 12 a 14 dias.

SUBESPÉCIE

Hecki Grassfinch (Poephila acuticauda hecki). Muito popular - Bico: Vermelho. Babadouro: Preto. Olhos: Pretos . Demais cores: tons mais intensos que os do Cauda Longa.

MUTAÇÕES

Canela - Bico: Vermelho claro. Babadouro: Marrom-café. Olhos: Canela. Demais cores: bege-claro no corpo. Marrom-café nas marcações

Cores derivadas da mutação canela:

Isabel - Bico: Vermelho claro. Babadouro: Marrom-café (diluição parcial) ou Marrom-conhaque (diluição total). Olhos: Canela-avermelhados. Demais cores: Bege-claro no corpo. Marrom-café nas marcações (diluição parcial) ou marrom-conhaque (diluição total).

Branca - Bico: Vermelho. Babadouro: bege-claro. Olhos: Canela-avermelhados. Demais cores: corpo esbranquiçado. Marcações bege-claras.

Albina - Bico: Vermelho. Babadouro: não visível. Olhos: vermelhos. Demais cores corpo totalmente branco.

CAUDA CURTA

ORIGINAL (Poephila cincta). Conhecido como Black-throated Finch e Parson Finch - Bico: Preto. Babadouro: Preto. Olhos: Pretos. Demais cores: Preto na garganta, faixas dos flancos, loros, rabo e traseira. Cinza na cabeça e nuca. Cinza-claro na fronte, região dos ouvidos e bochechas. Marrom-claro atrás do pescoço, costas e parte inferior. Branco no abdômen, nas penas que cobrem a cauda e por baixo dela. Tamanho: cerca de 10 cm. Postura: 5 a 7 ovos. Incubação: 12 a 14 dias.

SUBESPÉCIES

Diggles Finch (Poephila cincta atropy-gialis) - Bico: Preto. Babadouro: Preto. Olhos: Pretos.

Demais cores: iguais ao Cauda Curta, exceto pelas penas que cobrem a cauda, que são pretas.

Dark Diggles (Poephila cincta nigrotecta) - Bico: Preto. Babadouro: Preto. Olhos: Pretos.

Demais cores: cores do corpo mais escuras. Tem pretas as penas que cobrem a cauda.

Parson Light (Poephila cincta vinotinctus) - Bico: Preto. Babadouro: Preto. Olhos: Pretos.

Demais cores: de coloração mais clara de todos. As penas que cobrem a cauda são brancas.

MUTAÇÃO

Canela - Bico: Marrom. Babadouro: Marrom-café. Olhos: Canela. Demais cores: Corpo branco com marcações marrom-café.

Cor derivada da mutação canela:

Branco - Bico: Marrom. Babadouro: Marrom-claro. Olhos: Canela-avermelhado. Demais cores: corpo branco com marcações marrom-claros.

MASCARADO

ORIGINAL (Poephila personata)

Chamado de Masquê ou Masked Finch, em vez de babadouro tem uma máscara. É o mais agitado e de reprodução menos fácil. Sua postura é menor e irregular e a identificação do macho mais difícil - Bico: Amarelo. Máscara: Preta. Olhos: Pretos. Demais cores: Preto nas laterais da fronte, loros, extremidade do queixo e no rabo. Canela na área qual vai da fronte à parte superior da traseira e nas asas. Branco no abdômen, na parte inferior da traseira e nas penas sobre e sob a cauda. Tamanho: cerca de 13 a 14cm. Postura: 4 a 6 ovos. Incubação: 13 a 15 dias.

SUBESPÉCIE

White-Eared Grassfinch (Poephila personata leucotis) - Bico: Amarelo. Máscara: Preta. Olhos: Pretos. Demais cores: A única diferença do Mascarado é uma faixa branca na região dos ouvidos, abaixo dos olhos.

Babadouro = marcação que pega a região do queixo, garganta e parte superior do peito.

Loro = faixa lateral que une o bico aos olhos.

PARA SABER MAIS

Livro: The Complete Book of Australian Finches, de A . J. Mobbs, da T.F.H Publications Inc., Neptune City, NJ-EUA.

Criadores: Roque Rafael de Moraes, Criadouro Porto Feliz, Porto Feliz - SP, ; Gilberto Lopes, do Criadouro Regina, Santo André - SP; ; Hermelindo Bosso, Criadouro São Vicente, em Mauá - SP,

Agradecemos aos entrevistados e ao criador Gilberto Lopes, do Criadouro Regina, Santo André - SP; a Paulo Flecha, criador de aves e Fabio Tiezzi, da loja Gato-ke-ri, São Paulo - SP, inclusive pela revisão técnica deste texto.
Reportagem: Moisés Henrique Lemus. Redação: Carmen Olivieri . Edição de texto: Marcos Pennacchi.
Foto: Fernando Torres de Andrade
Props.: Hermelindo Bossoe e Milton Vinhas

Arquivo: Cães & Cia