Principios Básicos na Criação de Psitacídeos

 


A criação de Psitacídeos ou aves de "Bico Torto", como muitos a conhecem, é a mais conhecida na avicultura informal, ou seja, é a mais popular entre os leigos.

Autor: Rodrigo Silva Miguel - médico veterinário (CRMV SP 10552)


 

PRINCÍPIO BÁSICOS NA CRIAÇÃO DE PSITACÍDEOS

(Periquito australiano, Calopsitas, Agapornis, Lóris, Rosellas, etc.)

A criação de Psitacídeos ou aves de "Bico Torto", como muitos a conhecem, é a mais conhecida na avicultura informal, ou seja, é a mais popular entre os leigos. O colorido exuberante das várias espécies criadas hoje no Brasil ( periquito australiano, calopsitas, agapornis, lóris, rosellas, etc ) é um grande atrativo até para os gostos mais exigentes. Aliado a isso há a capacidade de "falar " de várias dessas espécies e ainda a facilidade dessas aves tornarem-se "pets", ficando soltas nos ombros de seus donos e pela casa toda.

Por esses motivos, e por dotar de um clima privilegiado, o Brasil é hoje um dos maiores criadores do mundo em aves ornamentais, possuindo exemplares de padrão internacional e criadores reconhecidos por toda a Europa e América do Norte.

Sendo assim, o futuro criador terá acesso a um dos melhores plantéis do mundo para iniciar sua criação, seja ela hobby ou comercil

COMEÇANDO A CRIAÇÃO

O primeiro passo para se iniciar uma boa criação é procurar se informar a respeito das espécies que deseja obter, em livros e publicações especializadas e com criadores experientes que terão o maior prazer em orientar.

Decidida a espécie ou as espécies que comporão o novo criadouro, o iniciante deve tomar alguns cuidados básicos para não incorrer em pequenos erros que muitas vezes desestimulam. É muito importante ter em mente que não existem fórmulas fixas para se começar uma criação; é preciso vontade, disposição e algum espaço para se apaixonar por essa atividade fascinante.

A partir da determinação do espaço, seja ele em casa, na empresa, apartamento ou sítio, o criador deve providenciar as instalações adequadas às suas intenções e aos métodos de criação que são dois:

Colônia - viveiro que reúne vários casais da mesma espécie ou de espécies diferentes. A criação em colônia é bastante decorativa, menos dispendiosa e bastante prática, exigindo menos mão de obra e tempo; porém existem algumas desvantagens com a possibilidade de brigas e de acasalamentos indesejáveis.

Há espécies mais ou menos agressivas umas com as outras e entre si, e isso deve ser levado em conta na formação da colônia, bem como os seus hábitos alimentares

A tabela a seguir dá uma noção de algumas características particulares das espécies mais criadas e da possibilidade de se associá-las.

espécie / característica

AGRESSIVIDADE INTRAESPÉCIE

AGRESSIVIDADE INTERESPÉCIE

HÁBITOS ALIMENTARES

PERIQUITO

+ + +

+

1*

AGAPORNIS

+

+ +

2*

CALOPSITA

-

-

2

RED HUMPED

-

-

2

NEOPHEMAS

-

-

2

ROSELLAS

+

+ +

3*

RING NECKED

+

+

3

LÓRIS

+

+ +

4*

1 . sementes de pequeno porte + verduras
2 . sementes de pequeno e médio porte + verduras, frutas e grãos
3 . sementes de pequeno, médio e grande porte + verduras, frutas e grãos
4 . somente frutas

A tabela pode ajudar a associar as espécies de sua preferência, mas a observação é essencial pois há casos particulares de agressão e/ou inibição de algumas espécies por outra.

Deve-se tomar cuidado com a espessura do arame da tela do viveiro pois os psitacídeos são exímios fujões que cortam com o bico telas de arame muito fino.

Outro cuidado é colocar poucos poleiros de espessura variada no viveiro para proporcionar área de vôo para o exercício das aves.

Os cochos de comida e bebedouros devem ficar abrigados da chuva e do sol, bem como do contato com as fezes das aves. Os recipientes com comida molhada devem ser de vidro ou louça e lavados diariamente pois estas estragam com muita facilidade.

Os ninhos devem ser de madeira, em forma de caixa, com uma entrada circular e tamanho variável de acordo com a espécie. Não há formato ideal de ninho, a única condição é que os mesmos sejam suficientemente grandes para abrigar o casal e os futuros filhotes.

Na colônia, os ninhos devem ficar no alto, lugar de preferência das aves, todos na mesma altura e em número maior que o número de fêmeas para evitar brigas.

Individual - sistema de criação em gaiolas onde são colocados casais isolados.

É o sistema adotado pela maioria dos criadores por permitir o acasalamento visando a seleção exata de cor e/ou características desejáveis em aves de concurso.

A criação individual evita brigas entre casais e a consequente perda de filhotes, facilitando o controle de produção e dos produtos propriamente ditos.

As gaiolas devem ser de arame galvanizado com grade no fundo que deve ser limpa e desinfetada periodicamente; deve ter uma porta exclusiva para o ninho e no máximo dois poleiros para permitir o exercício das aves. O tamanho varia de acordo com a espécie, sendo o formato retangular o mais indicado para criação.

O adensamento de gaiolas deve ser cuidadoso pois pode gerar um ambiente carregado, com superpopulação, o que é propício a proliferação de bactérias de todos os tipos, além de ácaros e outros parasitas que podem dizimar a sua criação

ESCOLHA DAS AVES

Depois de ler a respeito das espécies escolhidas, o novo criador deve visitar criadouros e exposições para definir a linhagem que lhe agrada. A princípio não deve escolher aves de excelente padrão zootécnico pois estas, via de regra, são muito caras e de difícil reprodução. Deve-se escolher aves de padrão intermediário e em perfeitas condições de saúde para o primeiro ano de criação.

É muito importante saber a idade dessas aves que devem estar aneladas com anel da associação de onde o criador é filiado. Esse anel contém, entre outros dados, o ano de criação da ave.

Para colônia as aves devem ser todas da mesma idade aproximada e nunca terem criado, ou seja, filhotes do ano anterior, pois isto, diminuirá as chances de briga e/ou domínio de algumas aves mais velhas sobre as outras. Para a criação individual pode-se adquirir aves mais experientes porém nunca portadoras de vícios nem acima de três anos de idade; o criador idôneo alertará quanto a possíveis problemas.