Preparando um Periquito Inglês para Exposição (pedir autorização ao autor para publicar artigo)


"...Periquitos mal preparados, ou que não receberam cuidado algum de seus criadores, estão fadados a classificações medíocres (devido penalizações) ou, mesmo, a desclassificação (quando apresentam defeitos graves)..."
Fonte: Emerson J. Prates - Juiz OBJO

 

Preparando um Periquito Inglês para Exposição

 

            Preparar os periquitos ingleses antes de leva-los aos concursos é tarefa fundamental de quem quer ser campeão. Periquitos mal preparados, ou que não receberam cuidado algum de seus criadores, estão fadados a classificações medíocres (devido penalizações) ou, mesmo, a desclassificação (quando apresentam defeitos graves).

Um bom criador não deve apenas cuidar da saúde de seu plantel ou faze-lo procriar adequadamente, mas deve produzir periquitos campeões; e para alcançar esse objetivo exige-se dos exemplares, além de saúde perfeita, aliada a atributos físicos suficientes, uma preparação adequada para concursos. Na realidade, a preparação prévia irá destacar o que de melhor um periquito apresenta, facilitará a tarefa de analise do juiz ornitológico, minimizando possíveis erros de avaliação. Levará o criador a vencer nas categorias que está disputando, elevando seu status de competidor.

Os criadores devem lembrar que durante os julgamentos é levado em consideração o “conjunto” da ave e não apenas itens isolados de qualidade. Que os torneios ornitológicos tratam-se, na realidade, de concursos de “beleza” em que são escolhidos os melhores exemplares disponíveis na ocasião, visando dar continuidade a evolução dos padrões da espécie. Ocasiões que exigem seriedade tanto dos juizes convidados como dos criadores expositores.

Tenhamos sempre em mente: “a condição geral é essencial”, o “equilíbrio do pássaro é primordial” e parte disso passa pela preparação. O nível técnico do criador, seu conhecimento, seu bom senso, estarão a prova durante os concursos. Serão coroados de louros ou espinhos os esforços de no mínimo um ano (anterior) de cuidado e investimentos de tempo e dinheiro nos pássaros.

Mas, afinal de contas: Como devemos preparar nossos periquitos; e quando devemos começar a nos engajar nesta tarefa?

Os criadores experientes sabem que “tudo” o que fazem para manter a saúde do plantel, desde o nascimento dos filhotes até os torneios, são considerados meios de preparação. Dessa forma, a forma de manejo da criação exercerá efeito direto sobre a condição geral dos periquitos durante os concursos. Verifiquemos a seguir os itens principais de manejo e seus prováveis efeitos sobre os periquitos que participam de exposições:

1º - Alimentação equilibrada - periquitos que recebem alimentação correta apresentam peso normal, plumagem e olhos brilhantes e, resistem melhor ao estresse do transporte e da manipulação durante os campeonatos.

2º - Higiene suficiente – uma boa higiene ambiental (além da limpeza, inclua-se iluminação e ventilação adequadas) previne contaminações e possíveis doenças, facilitando a tarefa de assear as aves nos meses que precedem as exposições.

3º - Medicações preventivas – o uso de medicamentos em doses preventivas, desde o nascimento dos periquitos, evita problemas de conversão alimentar, infestações de parasitas e confere resistência a doenças durante o deslocamento e no ambiente das exposições.

4º - Alojamento das aves – os periquitos devem ser alojados em ambientes que evitem superlotação e separados de outras espécies de aves (sobretudo de outros psitacídeos). Ambientes superlotados predispõem mais facilmente a doenças e permitir mais de uma espécie num mesmo alojamento pode levar a diversos tipos de danos aos pássaros.

Exemplos de problemas, que provavelmente podem decorrer de falhas nos 4 itens de manejo descritos acima:

a - periquitos com peso abaixo do normal - podem acabar cruzando asas por falta de substância no corpo – porém, convém lembrar que nem sempre cruzar asas decorre de falta de peso, pois existem periquitos que possuem voadeiras e cauda muito longas e/ou ombros estreitos, ambos defeitos genéticos.

b – peso extra – confere ao exemplar formato redondo e alguns poderão apresentar asas caídas – tal aspecto é muito prejudicial ao periquito padrão inglês. Alguns pássaros parecem ter problemas genéticos relacionados ao excesso de peso e outros apresentam asas caídas, peito caído, independentemente do peso corporal.

c – aspecto de doença – periquitos “embolados” – que não se alimentam durante os torneiros – diarréias - muitas doenças podem surgir quando os periquitos mudam de ambiente e alimentação, nem sempre porque o local da exposição está contaminado, mas, devido aos pássaros trazerem a doença de forma latente de seus criatórios de origem. Qualquer estresse pode levar a perda de imunidade à doença pré-estabelecida nestes casos.

d – sarna – periquitos com sarna devem ser desclassificados nos julgamentos. Parasitose que causa muita má impressão no juiz. Indica que o nível técnico do criador é baixo. Uma solução para isso é aplicação de invermectina injetável no folículo da pena, que na minha opinião, é a mais eficiente e mais barata forma de prevenção de ectoparasitos. A invermectina combate também vermes (endoparasitos) que poderiam levar o periquito a perder peso.

e – falta de unhas, dedos ou pés ou dedos e pés defeituosos (tortos)– também são considerados defeitos desclassificatórios. Quando muito freqüentes indicam nível técnico baixo do criador. Os criadores devem procurar usar serragem esterilizada em suas caixas ninhos para evitar acúmulo de fezes nas patas de seus periquitos (quando formar uma “bola” deverá ser retirada com muito cuidado - basta imergir o pé do filhote em água morna e aguardar alguns minutos para depois limpa-lo). Outro problema é a manutenção de diversas espécies de psitacídeos no mesmo recinto dos periquitos (agapornis, por exemplo). Para solucionar o problema basta colocar uma divisória no criatório individualizando cada espécie e evitar a coabitação delas numa mesma voadeira e/ou viveiro.

Os itens acima citados parecem ser os mais comuns relacionados ao manejo geral do plantel com reflexos sobre o desempenho das aves durante os campeonados, ou seja, poderiam ainda haver outros. Mas, o objetivo é falar também sobre como preparar um periquito inglês para a exposição naqueles meses que precedem os torneios.

Normalmente os criadores experientes iniciam a tarefa de preparação entre três a quatro meses antes das exposições, utilizando a rotina a seguir (cada rotina será seguida de dicas minhas, se possível, para melhorar a performance dos periquitos nos concursos):

1º - Retirada de penas danificadas – a retirada de penas quebradas das asas e cauda é fundamental, mas, o criador deverá ter muito cuidado ao faze-lo para não ferir o periquito (as asas devem ser seguradas com firmeza, porém, com cuidado). Alguns exemplares podem apresentar problemas de plumagem e o cuidado então será redobrado, pois, haverá o risco de surgir cistos após retirar a pena (alguns periquitos possuem plumagem muito mole, nem sempre por erros alimentares, mas, por problemas de linhagem – genéticos). O criador também deve evitar arrancar penas em crescimento, evitando perdas de sangue desnecessárias.

Dicas para o item 1:

a) solucionando o problema de caudas e voadeiras desfiadas ou eriçadas: alguns periquitos podem apresentar voadeiras ou cauda eriçada, desfiada sem, no entanto, estarem quebradas. Nesse caso o problema pode ser prontamente resolvido mergulhando as voadeiras ou cauda em água bem quente. A pena costuma retornar ao normal após secar, porém, o criador deverá ter cuidado ao mergulhar apenas as penas do periquito evitando o emergir o corpo do periquito e, assim, causar queimaduras.

a) melhorando as performance dos arlequins (Arlequins recessivos - ARs, Arlequins dominantes -ADs e Arlequins dominantes australianos – ADEAs) pela retirada de penas com melanina: os melhores juizes de arlequins levam em consideração não apenas o teor de melanina específico para cada variedade/mutação, mas a “simetria” das áreas com e sem melanina dos exemplares. O criador poderá melhorar essa simetria retirando algumas penas com melanina que destoam do conjunto de cada lado do periquito (coberteiras das asas) sem prejudicar o conjunto nos ARs e ADEAs. O mesmo pode ser feito nas voadeiras de todos os arlequins, porém, com muito cuidado (apenas uma pena de cada lado). Quando o periquito arlequim apresentar cauda com uma das penas maiores com melanina e a outra sem melanina, o criador poderá retirar a pena melânica deixando apenas a pena clara (amarelo ou branca) conferindo maior beleza ao exemplar. O único problema ao retirar penas de arlequins é a possibilidade de retornarem de cor diferente daquela que foi retira, principalmente se forem Ads.

c) resolvendo o problema de penas da cabeça nos periquitos cabeças sujas: quando o periquito apresenta poucas penas escuras na fronte elas podem ser removidas ou cortadas, porém, cada pena retirada ou cortada prejudicará a performance no item, altura da cabeça, do periquito (na gíria dos criadores “armação” da cabeça) sendo pouco aconselhada para periquitos com cabeça muito suja. Na realidade, os periquitos cabeças sujas são aberrações e devem ser sistematicamente desclassificados nos concursos. Os criadores de nível técnico mais alto evitam expor periquitos com esse grave defeito (na Inglaterra os juizes sentem–se insultados pelo clube e criadores quando se deparam com exemplares cabeças sujas).       

2° - Banhos preparatórios individuais ou coletivos – serão dados no mínimo duas vezes por semana, com o auxilio de um borrifador, sempre nas horas mais quentes do dia. Borrifar água morna (tépida) seria o ideal, permitindo a remoção de incrustações da plumagem do periquito. O primeiro banho deverá literalmente encharcar o pássaro, porém, os demais deverão ser mais suaves, molhando-se a ave de modo superficial. No primeiro banho aconselha-se deixar o periquito secar ao sol ou sob lâmpada incandescente, procedimento dispensável nos banhos seguintes. Secar a ave preferivelmente com toalha de papel descartável é apenas aconselhável em dias chuvosos e/ou muito frios. Caso o criador mantenha uma boa higiene geral da gaiola (poleiros, comedouros e grades) esse procedimento bastará para manter os periquitos limpos e com plumagem exuberante até a exposição. Regra válida mesmo para periquitos variegados (arlequins) ou completamente brancos ou amarelos. Os banhos irão estimular o uso da glândula de óleo situada no uropígio dos periquitos aumentando a freqüência do comportamento de untar as penas.

Nos casos que os procedimentos anteriores falharam, recorre-se ao uso de água morna (tépida) e sabonete líquido neutro (para bebês). Primeiramente o criador deverá separar dois recipientes (potes) limpos e um copo. Num dos recipientes deverá deixar apenas água morna limpa (pote 1) e no segundo a água morna será misturada com um pouco de sabonete líquido, fazendo-se bastante espuma (pote 2). No copo o criador deverá reservar água morna. Em seguida será mergulhada a área que se deseja limpar ou se necessário o pássaro por inteiro no pote com água limpa. Logo após, será recolhida espuma do segundo pote que será passada na área a ser limpa ou, se caso for lavado o periquito por inteiro, o criador deverá começar pelo alto da cabeça (tendo muito cuidado para evitar entrar espuma nos olhos, narinas ou bico do periquito), que será enxaguada a seguir com o copo de água limpa. O criador deverá lavar em seguida os lados da cabeça e logo após repetirá o mesmo procedimento para o resto do corpo. A secagem do pássaro logo após o enxágüe pode ser feita como no procedimento para o banho comum.

O criador deve lembrar ainda, que sempre antes de manipular os periquitos deve lavar bem as mãos secando-as com toalha limpa ou descartável (caso contrário, não adianta lavar as mãos). Pode utilizar sabonete liquido misturado a desinfetantes comerciais para pássaros, ou como último recurso, após lavar as mãos com água e sabão, enxagua-las com álcool iodado (misture 9 partes de álcool comum a uma parte de iodo glicerinado) ou mesmo o uso de luvas descartáveis será alternativa mais fácil.

Dicas para o item 2:

a) eliminando gordura da plumagem decorrente do uso de pomadas ou outros produtos: para evitar ter que recorrer ao banho completo, o ideal seria não usar pomadas de quaisquer tipos nos periquitos que irão participar de concursos. Mesmo, que seja passada nos pés ou bico, fatalmente as penas circundantes ficarão untadas e na pior das hipóteses, manchadas, dando péssimo aspecto ao periquito e dificultando todos os procedimentos de preparação que exijam retiradas de penas. Como foi comentado antes, os medicamentos para combater sarna devem ser ministrados no folículo da pena, dispensando-se totalmente o uso de pomadas.

b) eliminando restos de sangue, medicamentos ou alimentos que mancham a plumagem: restos de sangue decorrentes de ferimentos acidentais podem ser eliminados facilmente com água morna. Mas, há um detalhe importante: a ferida deve estar bem cicatrizada, caso contrário poderá abrir-se novamente (uma ferida cicatriza entre 8 a 14 dias). O ideal seria deixar a tarefa de limpeza das feridas às próprias aves, mesmo, que isso possa não ocorrer (comportamento anormal).

Quanto o uso de medicamentos que mancham, deve-se proceder da mesma forma para as pomadas, ou seja, evitar sua utilização. O melhor para curar feridas seria o uso de iodo branco (incolor) ou outros medicamentos que não mancham. Em último caso recorre-se a lavagem com água morna e sabão líquido neutro.

O mesmo deve ser feito em relação aos alimentos, que causam manchas na máscara (como frutas, legumes ou folhas verdes). Há duas formas de lidar com o problema. A primeira e suspende-los por completo pelo menos três semanas antes das exposições. Já, a segunda, seria misturar os vegetais, em pequenas quantidades, a farinhada com o auxilio de um microprocessador ou mesmo um liquidificador (muitos criadores se servem desse artifício).

3º - Treino na gaiola: o treino na gaiola é parte fundamental da preparação prévia dos exemplares que irão participar de concursos. Caso um periquito não consiga relaxar no poleiro, se sentir confortável e seguro dentro da gaiola de exposição, será muito difícil analisar suas qualidades físicas. Nas melhores das hipóteses periquitos ansiosos costumam “baixar”, recolher as penas deixando-as completamente aderidas ao corpo (e bater as asas), prejudicando enormemente seu desempenho durante os torneios. Pode ocorrer, inclusive, que logo após a gaiola retornar ao painel, o periquito sinta-se tranqüilo entre as outras aves voltando a relaxar mostrando sua exuberância novamente. Tais situações poderão render críticas indevidas ao juiz após o final do julgamento.

Aqui no Brasil, a adoção de gaiolas de exposição inteiramente de arame pela FOB, facilitou a tarefa de treino de gaiola. O criador tinha dificuldade em adquirir as gaiolas de madeira do padrão exigido (Inglês) e era necessário deixa-las acopladas as criadeiras esperando que a curiosidade dos filhotes os conduzisse até elas. Outro inconveniente era ter que retirar o casal da criadeira e adapta-los a uma nova criadeira. A vantagem das gaiolas de arame é a troca da grade e do papel da bandeja que facilitam a limpeza bem como a colocação dos comedouros internos.

Dica para o item 3:

- adaptando os periquitos a gaiola individual: os periquitos deverão ser individualizados nas gaiolas de exposição (ou similar) de preferência no período da manhã para que se acostumem a nova situação e encontrem água e comida no decorrer do dia. O criador deverá colocar a disposição dos periquitos alimentos (aveia, girassol, frutas, folhas verdes, etc), ou brinquedos, agradáveis ao pássaro para facilitar a associação do novo ambiente com algo recompensador, positivo. Somente serão iniciados os banhos após 3 dias de alojamento para evitar sustos fazendo-os associar a gaiola de exposição com algo aversivo, negativo. A mesma regra vale para outros procedimentos recomendados, como trocar a gaiola de lugar, colocar a gaiola encima de uma mesa e olhar os periquitos ao nível de nossos olhos, toca-los com a varinha de julgamento. Procedimentos que exigem um pouco de tempo, embora, sejam muito úteis principalmente se o periquito for um forte concorrente. Vale a pena tornar um bom periquito num verdadeiro gentleman, pois, constituirá verdadeiro diferencial do criador durante os torneios.  

4º - Treino no poleiro: não é procedimento muito popular no Brasil. Os ingleses costumam fazer menção a ele, porém, não oferecem muitos detalhes técnicos. Porém, o objetivo seria fazer com que o periquito ficasse na posição correta no poleiro, ou seja, comparando aos ponteiros do relógio, “11:25” ou se preferir “01:35”, quando vistos de lado. Alguns periquitos dispensam esse procedimento por apresentarem tal característica naturalmente.

5º - Preparando máscara e colar: preparar a máscara e colar é essencial para a boa apresentação do periquito inglês. Mesmo que ambas somem apenas 5 pontos aos demais itens na tabela de pontuação para os periquitos ingleses, a diferença entre aqueles que tiveram a máscara e colar preparados e os que não receberam cuidado algum é grande. A retirada das penas excedentes do colar, que deve apresentar no total seis pintas, três de cada lado da face, irá conferir maior profundidade à máscara do periquito. Inclusive, darão impressão de maior limpeza e harmonia ao pássaro.

Dica para o item 5:

- retirada das penas excedentes do colar: geralmente as seis pintas corretas do colar são mais escuras, brilhantes e regulares que as excedentes. Nos periquitos selvagens elas são notadas na maioria dos exemplares, não havendo pintas excedentes. Talvez seja esse o motivo das pintas excedentes serem distintas das “corretas” o que facilita sua retirada visando melhorar o aspecto da máscara do periquito. Outro detalhe importante é a posição das duas pintas mais externas do colar, que devem ser parcialmente recobertas pelas riscas faciais de ambos os lados das faces, exigindo cuidado redobrado ao retirá-las.

Periquitos que tenham excesso de penas de colar na máscara, como é o caso de alguns opalinos, exigem também muito cuidado ao remove-las, evitando o surgimento de buracos na máscara. Em alguns casos é recomendável “cortar” as penas excedentes, logo acima da bola ou mancha do colar, com o auxílio duma tesoura pequena, ao invés de apenas retirar-las do modo tradicional, ou seja, com o uso de uma pinça.    

Aconselha-se realizar a retirada das penas do colar apenas quando a plumagem do periquito estiver completamente enxuta. Caso as penas excedentes sejam retiradas, quando o periquito estiver molhado, as demais não retornarão adequadamente a sua posição original prejudicando muito o conjunto do pássaro durante os concursos.

A retirada de penas excedentes do colar deve ser feita pelo menos dois dias antes dos concursos, devido ao crescimento rápido. O corte de penas com o auxilio de uma tesoura pequena pode ser uma alternativa para impedir esse crescimento rápido, mas, exige muita prática do criador em função do efeito final poder ser desastroso.     

6º - Preparando periquitos na muda: periquitos na muda em geral são difíceis de preparar, não havendo solução quando houver perda de penas que possam comprometer o conjunto do pássaro. Artifícios como colar penas que foram perdidas (nas asas e na cauda) nunca dão bons resultados, pois, os periquitos costumam identificar as penas coladas como algo estranho e procuram remove-las rapidamente. Mesmo que eventualmente o periquito aceite a colagem, um bom juiz é capaz de identificar o truque e desclassificar o exemplar. Artifícios como este são passíveis de penalidade máxima nos concursos.   

Dica para o item 6:

- liberando penas encartuchadas da fronte e máscara: a liberação de penas em crescimento, ainda envoltas pelo cartucho, constitui uma alternativa aceitável quando a muda de um periquito coincidir com as datas dos concursos. Bastará pinçar a pena encartuchada, com muito cuidado, entre o indicador e o polegar e a seguir fazer leves movimentos como se estivesse limpando um dedo no outro. Tal procedimento irá romper o cartucho expondo a pena. Uma dica importante é respeitar a direção da pena caso contrário corre-se o risco de arranca-la acidentalmente.

O procedimento de liberar a pena irá melhorar em muito a condição inicial do exemplar, porém, é recomendado apenas para as penas da fronte e máscara que são mais curtas. Liberar penas da cauda e das asas é bem mais complicado e delicado, devido ao maior comprimento de ambas.

Outra dica interessante seria oferecer banhos logo após realizar o procedimento de liberação da pena. Os banhos irão amolecer o cartucho e liberar mais rápido o restante da pena que permanecer dentro dele.

7º - Cuidados no local de exposição: muitas vezes o cuidado que os periquitos exigem nas exposições é esquecido pela maioria dos criadores, sobretudo pelos iniciantes. Na minha opinião quando o criador mandar pássaros para concurso deveria ele também estar presente no recinto de exposição. Não é raro ocorrer problemas com alguns exemplares que não se adaptaram bem a gaiola de exposição (ao bebedouro ou comedouro, inclusive) ou estranharam o deslocamento. As associações não ressarcem qualquer dano ou perda, algo que é legítimo e correto. Apenas o criador poderá responsabilizar-se por periquitos que venham adoecer e pelas eventuais baixas. O descuido na exposição põe em xeque toda a preparação anterior e a expressão figurativa “morrer na praia” cabe bem a essa situação.

Dicas para o item 7:

a) trazendo a água de casa: parece ser uma alternativa nada prática, mas, por exemplo, se o criador costuma alimentar seus pássaros com água filtrada poderá eventualmente ter problemas ao oferecer água tratada da rede pública. Assim, a dica é trazer água de casa ou oferecer água mineral nos bebedouros durante as exposições como medida preventiva. Muitos criadores acabam oferecendo sempre água tratada da rede pública, aos seus planteis, para evitar tal procedimento e problemas durante as exposições.

b) tratando periquitos com comportamento estranho ou aparência de doença: alguns periquitos não encontram o bebedouro na gaiola de exposição ou estranham o comedouro. Tal situação não é comum, mas, pode surgir se o criador não ficar atento. Nesse caso, ao primeiro sinal de ansiedade ou entristecimento do pássaro, o criador deverá pegar o exemplar nas mãos e examina-lo. Caso o papo esteja cheio de comida é sinal de que o periquito não está bebendo água, porém, se o papo estiver completamente vazio é certo que o pássaro não ingeriu nada (nem comida e nem água).

Quando se perceber, pelo exame manual, que água não foi ingerida o criador poderá levar o bico do pássaro até o bebedouro da gaiola. Normalmente o periquito irá imediatamente beber água e em alguns minutos estará refeito. Porém, se ele nada beber o criador deverá usar uma sonda para alimenta-lo. Esse artifício também vale para periquitos que estejam com o papo vazio. O alimento a ser utilizado é a “papa especial para filhotes” que é facilmente adquirida nas lojas especializadas para de pássaros. Uma dica importantíssima seria aquecer a água ou alimento a uma temperatura tépida (morna) antes de inseri-la no papo do periquito. Isso irá evitar que o periquito regurgite o alimento que foi recém dado com o auxílio da sonda.

A consistência do alimento deverá ser semilíquida (nem líquida demais e nem seca demais) facilitando sua colocação na sonda, posteriores colocação no papo e digestão do pássaro. A quantidade não deverá ultrapassar 2,5 ml para não impor desconforto ou motivá-lo a regurgitar o excesso de alimento. Muitos exemplares necessitam apenas de uma dose de comida, dada pela sonda, para voltar a se alimentar normalmente após algumas horas depois do procedimento. Mas, o criador deverá continuar atento, caso haja a necessidade de repetir o procedimento.

O criador poderá ainda ministrar antibióticos, antifúngicos, vitaminas ou outros medicamentos que desejar, junto com a papa para filhotes, auxiliando no tratamento dos periquitos que estejam convalescentes no recinto de exposição. Já, as sondas que serão utilizadas serão do tipo uretral ou cateter, facilmente encontradas nas farmácias de hospitais e serão recortadas cerca de 6 cm acima do adaptador de seringa com ajuda duma tesoura. As bitolas das sondas devem ser de 8 ou 10 mm (a melhor é a de 8 mm) e a seringa utilizada deve ter calibre superior a 2 ml para facilitar a dosagem .

Isso tudo sugere que o criador deverá, antes de se dirigir ao recinto da exposição, ter providenciado todos os materiais necessários (sonda, seringa, papa para filhotes e pote) para evitar transtornos de última hora.

c) portando outros apetrechos: um criador experiente normalmente trás outros apetrechos de casa como uma pequena tesoura, tesoura para cortar anilhas, aquecedor elétrico para água entre outros materiais que julgar necessário. A prevenção de um bom criador irá lhe trazer apenas bons resultados mesmo que aumente sua bagagem.

Longe de esgotar o assunto, espero que os cuidados e dicas de como preparar os periquitos para exposição, comentadas no texto, possam ter sido úteis aos criadores que visam melhorar a apresentação de seus periquitos nos concursos e lembrar, também, que não basta tecer criticas, mas sim, tentar oferecer saídas.