Efeitos Secundários dos anti-infeccioso


"...Todos nós temos presente os extraordinários serviços que nos são prestados pelos agentes anti-infecciosos, as sulfonamidas e os antibióticos entre outros, nomeadamente no combate às infecções instaladas, menos conhecidos porém são os seus efeitos adversos, a contrapartida paga por essa benesse..."
Fonte:  Por Victor Carrilho (criador de exóticos, Coimbra)

Efeitos Secundários dos anti-infeccioso

(Publicado na Revista AAP nº30 - Janeiro 2001)

Todos nós temos presente os extraordinários serviços que nos são prestados pelos agentes anti-infecciosos, as sulfonamidas e os antibióticos entre outros, nomeadamente no combate às infecções instaladas, menos conhecidos porém são os seus efeitos adversos, a contrapartida paga por essa benesse. Normalmente ouve-se dizer que os antibióticos fazem bem e fazem mal, mas a grande tendência é olhar apenas para a parte boa, o debelar da infecção, esquecendo ou procurando esquecer o que se vai pagar pelo desaparecimento da doença. Actualmente a receita de sulfonamidas, antibióticos ou outros agentes, anti-infecciosos tem sempre presente esse binómio tratamento "versus" efeitos secundários, com nítida vantagem para os efeitos terapêuticos, só que essa vantagem é conseguida cumprindo-se determinadas regras, regras essas frequentemente ignoradas e que se podem consubstanciar em:

- Utilizar unicamente um agente anti-infeccioso a que os mocrorganismos respomsáveis pela infecção sejam sensíveis;

- Não ultrapassar a dose prescrita;

- Utilizar o agente antinfeccioso durante o tempo certo, ou seja, nem de mais, nem de menos.

Dado que os microrganismos instalados num organismo vivo, em estado de saúde, se controlam entre si, num equilíbrio perfeito embora precário, e sabendo nós que o desequilíbrio desse ecossistema provoca a maior parte das doenças infecciosas, fácil é perceber os efeitos nefastos que o incumprimento das regras citadas pode ter, senão vejamos:

- A utilização de um agente anti-infeccioso que não elimine o agente provocador da doença mas elimine os seus competidores vai fazer com que a proliferação do mesmo aumente desmesuradamente;

- A ultrapassagem do doseamento previsto e/ou tempo de aplicação pode ter como efeito a eliminação quer dos microrganismos patológicos quer de todos os outros que são absolutamente necessários ao organismo;

- A aplicação do medicamento em tempo e/ou dosagem reduzida, pode não só não eliminar o microrganismo causador da infecção como ainda levar o mesmo a criar defesas e a tornar-se resistente ao agente anti-infeccioso aplicado, que perde o seu efeito nessa e em futuras aplicações.

Para além destes efeitos causados por má aplicação, os agentes anti-infecciosos mesmo aplicados correctamente afectam determinados orgãos, têm efeitos secundários, e é destes que passamos a tratar. Os efeitos secundários mais conhecidos e mais estudados são os seguintes para os agentes anti-infecciosos mais correntes:

Sulfanomidas - Criação muito frequente de resistências cruzadas entre diversas sulfonamidas. Toxicidade mais elevada que nos antibióticos. Eventual apareceimento de Cristaluria a nível renal.

Penicilinas - Reacções alérgicas cruzadas com outras penicilinas e eventualmente com as cefalosporinas. Reacções tóxicas. Facilmente inactivadasa por uma enzima produzida por determinados microrganismos. Destruição da flora intestinal.

Eritrocina - Diarreias, hepatoxicidade.

Estreptomicina - Tóxico para o ouvido interno, tóxico para o rim. Diversas resist~encias bacterianas.

Tetraciclinas - Resistências bacterianas a aumentar. Vómitos, micoses e diarreias. Destruição da flora intestinal. Hepatoxicidade quando em doses elevadas. Inactivas na presença de cálcio. Podem provocar insuficiência renal.

Cloranfenicol - Toxicidade medular. Diminuição dos eritrócitos, aplasia medular, vómitos, alterações das mucosas.

Estes efeitos secundários podem acumuar e pontencializar com graves efeitos quando se utiliza os chamados "cocktail", isto é, uma associação de diversos destes agentes normalmente usados como "cura-tudo". Como se depreende, mais vale prevenir que remediar e uma profilaxia atempada com higiene rigorosa permite evitar a maior parte das doenças, quer víricas, quer bacterianas.

 

(reprodução do texto gentilmente autorizada pelo autor)

© Copyright, Victor Carrilho 2001